Carta de Léo a Bia (deixada na porta da geladeira, antes de partir) Bia, Há muito sinto falta de suas carícias, seus agrados, seus elogios, seu bom humor. Há meses já não me chamas de “amor”. Assim como Drummond, começo a duvidar. Ao acordar todos os dias pela manhã, me pergunto se ainda faço falta pra ti. Dia a dia, essa questão vem adquirindo uma resposta que vai contra minha vontade. Em um de seus poemas Drummond diz que o amor deve ser repetido dia a dia, momento a momento, instante a instante, caso contrário, que certeza teria o poeta de estar sendo amado naquele momento? E, se passasse muito tempo após o último “eu te amo”, que certeza teria o poeta de que aquele amor ainda persistia? Ah, meu amor, quantos “eu te amo” você me negaste. Por simples vontade de não dizê-lo. Não estar “a fim”. Era como se naquele momento você não estivesse “a fim” de me amar. É uma pena. É uma pena que seu amor por mim dependa de seu estado de espírito, e não necessariamente de seus sentimentos. Mas é exatamente aí que mora a minha contradição. Acredito que seu estado de espírito nada tenha a ver com isso. Acredito que seu amor, por mim, morreu. Você não sabe quantas lágrimas rolaram-me dos olhos a cada “não”, a cada “já disse”, a cada “me larga”, a cada “desgruda”. Se desta forma meu amor não lhe convém, vou procurar outra pessoa, e nela depositar tudo aquilo que um dia eu quis dar a você. Não me procure mais. Léo Um grande abraço a todos! Gnomo
Escrito por V & V às 21h53
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Carta ao Leco (amigo de nem tanta confiança, mas extrema simpatia)
Boa noite caros amigos de Teco!
Depois de muito tempo ausente, volto a compor o time de escritores deste blog.

E aí Leco, tudo bem?
Bom, como você sabe (ou pelo menos acredito que a notícia já tenha chegado até você), não estou mais morando em Sorocaba. A situação por lá andava meio feia sabe. Coisa de outro mundo. Eu tinha gente me cobrando até o pescoço. Eu pretendo pagar toda essa gente quando arranjar dinheiro, mas, por hora, prefiro me manter ausente. Até por isso não lhe digo onde estou não por não confiar em você, mas saber onde estou, pode significar algum risco, que eu não quero que você saiba. O remetente do envelope é falso, por isso, eu nem sei se você de fato vai receber esta carta.
Passo noites em claro pensando sobre aquilo que você me disse. Sério mesmo. Me tocou de uma forma inusitada. Até pensei em escrever alguma coisa sobre aquela história, mas acho que não conseguiria. Bom, se bem que na situação em que me encontro, o que não me falta é suporte para escrever alguma coisa. Material eu tenho, tempo também e (o principal) a história rende páginas a beça. Não, besteira minha. Não vou escrever nada. Vou acabar esta carta e já está bom demais.
A propósito, gostaria te enviei um convite para o show do Roberto no dia 30. Eu ganhei numa promoção no mês passado e até iria, mas como preciso me manter ausente dos olhos dos caçadores, prefiro passa-los a diante.
Outra coisa, diga a Soraia que ainda guardo nosso retrato (aquele do dia em que fomos ao zoológico lá em São Paulo), e que se um dia ela quiser me ver, quando passar essa situação, eu posso encontrá-la para conversarmos, tenho tanto a dizer a ela que nem sei se conseguiria dizer tudo o que quero.
Bom, quando eu tiver novidades entro em contato.
Grande abraço!!
Um grande abraço a todos!
Gnomo
Escrito por V & V às 21h48
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