18 horas Faz relativamente pouco tempo que cá estou. Voltei, é verdade. Não me sinto fora do meu universo aqui, não me sinto fora de mim. Na realidade, me sinto bem à vontade neste lugar e, se não fosse as 18 horas, eu nem estaria nem escrevendo esta carta. Por essas bandas, a solidão tem andado de mãos dadas comigo todos os dias. Não, não é ser piegas, falo a verdade. É melhor se sentir só quando se está de fato isolado, do que no meio desse tanto de gente. Aqui, depois do dia todo, às 18 horas, somos todos iguais, quer dizer, isso quando somos, pois, na maior parte das vezes abdicamos do direito de ser, para simplesmente voltar para casa. O cansaço bate é na segunda feira mesmo, os outros dias são espelhos. A esperança é, um dia, olhar por outra janela, dormir em outra cama, olhar para outro céu, se refrescar em outra chuva, sentir outros ventos, olhar outro alvorecer, ouvir outras coisas que não motores e buzinas, construir outros horizontes que não me forcem a querer a maldita 18 horas. Mas tudo isso, toda essa esperança, digna de planos futuros, só me fazem sentido com ela, senão, que diferença faz se os carros buzinam, se a chuva molha, se o sol se põe? A mesmice já está consumada na solidão, eu não. Um grande abraço a todos! Gnomo
Escrito por V & V às 22h33
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