Não sobre o amor 
O amor engana os imbecis. Deus! Como há imbecis no mundo. É impressionante. Me coloco ao meio deles, pois, em matéria de amor, sou um asno, um estúpido. O amor não se faz cruel por dissimular corações, atrair a mente memórias que, com o seu fim tornam-se histéricas dores. Não chamo de maligno o amor pelo fato de ele extrair lágrimas dos mais duros olhos, por ele dar cor com sua ternura aos mais escusos espíritos, e depois devolvê-los à miséria antes habitual. O personagem do qual falo é muito pior. O dito cujo se faz monstro pelo seu sadismo, sua concorrência com todos os outros sentidos que aguçamos quando adoecemos. Faz sofrer, faz querer esse sofrimento, faz querer morrer para não mais sofrer. Faz doentes aqueles que sempre estiveram em sã consciência dos acontecimentos acerca de si. E faz são aquele que, louco de amor e cego de juízo, de razão, se entrega àquela que lhe convém, e, se engana, quando não convém mais a ela. Os papéis podem se inverter. Isso sem contar os sonhos. Os malditos sonhos que desabrocham em esperança, e, depois disso, quando a rasteira lhe é bem dada, transfiguram-se em desilusão, desengano, e todas as outras palavras existentes com o prefixo “des” que sugerem um contraponto à felicidade. Os sonhos que tiveste um dia foram amassados e lançados à lixeira mais próxima, que é aquela que representa o vazio que é sonhar sozinho o sonho dos casais. Quisera eu que este sentimento tivesse o equilíbrio e os desdobramentos sutis dos quais nos ensina Ovídio. Quisera eu ser alheio à dor, renunciar a mim e aos outros para o meu próprio bem e para o bem deles, assim como orienta Sêneca. Quisera eu tratar do amor como o vômito do qual nos alimentamos pelo simples prazer de comer o próprio vômito, como sugere Bukowski. Sou apenas mais um dos estúpidos desse mundo. E o amor? Ah, esse ainda me paga...
Gnomo
Escrito por V & V às 11h14
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