Tecoterecoteco e outros Devaneios

25/05/2009

Veneno Divino

Eu te diria se soubesse,

que o passado realmente a gente esquece,

aliviando as dores da solidão, e o vazio,

mas pra mim as coisas mudaram,

de diferentes caminhos pra diferentes atalhos,

pois o que minha mente projeta,

me aprisiona, me liberta,

como um torpor que enlouquece.

 

Por vezes desvairado me condeno,

perguntando, respondendo,

mesmo sem ter o que dizer,

sobre o nosso amor que foi lindo,

hoje é nectar divino,

e a um só tempo veneno,

que necessito beber.

 

E quanto mais me lastimo,

mais de teu ser me aproximo,

esperando sei la o quê.

E a cada reencontro, transforma-se o meu mundo,

meu ser, meu eu

que ainda não te esqueceu e recomeça a sofrer.

 

Esquecer: eis um mal que me faz bem,

ou um bem que me faz mal.

Mas em meio a tanta incerteza,

eu não descarto a beleza de recordar pra viver,

ou viver pra recordar,

pois quem amou feito eu,

e do amor as melhores emoções viveu,

jamais deixará de amar.

 

Este poema é da minha avó, Therezinha Gouvêa, e está em seu livro, "Adentrando meu Ser". Nem é o mais conhecido, mas eu acho muito bonito, como muitos outros que nasceram da inspiração e do amor desta grande artista que nos deixou hoje. Leva, com certeza, muito da minha história, e devo a ela muito da minha inspiração. Obrigado...

 

Victor G.


Escrito por V & V às 19h11
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