Constatações apaixonadas 
Passeava despreocupadamente pela Avenida Paulista às 6 horas da manhã de um domingo que acabava de começar. Os traços duros do concreto cinza já não pareciam mais tão ríspidos como outrora. Os tons coloridos se destacavam e ele se sentia absorvido por aquelas cores como elas se sentem pelos seus olhos. Na rua o cotidiano era o mesmo: Um carro batido e poucos policiais embuídos da mais pura má vontade, uma senhora perua correndo com seu cachorro que gostaria de estar dormnido, um casal sentado no ponto de ônibus trocando olhares de cumplicidade. Sinal abre, sinal fecha. Para o mundo nada tinha mudado. Para o seu mundo, nada era mais como antes. Andava vagarosamente enquanto admirava um feixe de luz que insistia em penetrar na parcial penumbra que cobria o céu daquela manhã nublada. Sentiu gotículas ínfimas tocarem seu corpo pouco a pouco, como se fossem pequenos toques de outros dedos. Se fosse durante a semana pensaria que aquela garoa que pincelava seus óculos e atrapalhava sua visão era dos ar-condicionados. Estava, então, definitivamente apaixonado. Não se importou com a demora do ônibus. Não ligou para a conversa estafante do bêbado. Não se resfriou com o vento gelado que somava à garoa o perfeito clima para um filme a dois. Sabia que a partir daquele momento sua vida estava mudada. Mas não queria pensar naquilo. Afinal, não é todo dia que se vive uma paixão. Victor G.
Escrito por V & V às 07h12
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